segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Critica a Ratatouille



Desta vez os estúdios da Disney/Pixar levam-nos ao encontro de Paris, numa história que, pelos mais variados motivos, inicia uma vaga de filmes que começam a direccionar as atenções para o público mais adulto.

Remy é um rato que mora debaixo da cidade de Paris (mas ele nem imagina) e que age de forma invulgar, comparada com os outros ratos: lava sempre as mãos antes das refeições, só gosta de comer “especialidades” e tem um faro apurado para as comidas. Só que para encontrar estas comidas “Premium” tem de entrar na cozinha das pessoas, roubar a comida e sair sem ser descoberto. Mas um dia o roubo não corre lá muito bem… e depois de um intenso tiroteio com uma velhota, Remy é despejado numa corrente de água que vai fazer com que ele se separe da sua família. A sua sorte é que, depois de vasculhar pelo cano esgoto, encontra um caminho pelas canalizações para um dos mais conhecidos restaurantes de Paris.

Lá encontra Linguini, um desajeitado jovem parisiense que iniciou o seu emprego no restaurante como “o moço do lixo”. E aqui começa uma aventura sem precedentes, com a originalidade que a Pixar nos habituou nos seus últimos filmes.

Não sei se já repararam, mas o marketing deste filme tem passado desapercebido, comparado com a explosão de bugigangas que foram lançadas, por exemplo, para “À Procura de Nemo”. “Ratatouille” é sem dúvida um filme que marca o início de uma nova era nas animações da Pixar. A história já não consegue prender as crianças até ao fim. Muitas dela vão acabar por adormecer ao longo do filme. A explicação é simples. “Ratatouille” é um filme dirigido para toda a família mas vamos dividir as coisas: a animação é para as crianças; a história para os adultos. Não me lembro de ver mais nenhum filme da Pixar que aborde temas como questões patrimoniais, heranças, advogados… Pois “Ratatouille” vai com certeza prender os mais velhos ao ecrã. A história é muito bem construída, apesar da simplicidade. Este é um dos trunfos deste filme!

Quando à animação pouco há a dizer. A Pixar melhora sempre de filme para filme. A olho nu poderemos dizer que “Monsters Inc.” e “Cars” foram filmes que requereram atenções especiais em relação a texturas, “pêlos”, “pó/poeira”, mas “Ratatouille” não deixa a desejar neste campo. A equipa de animação não desilude, mas também não evolui muito.

A banda sonora é o outro trunfo. Não me admiro se aquando das nomeações para os Oscars, o nome de Michael Guiacchino apareça entre os nomeados como responsável por uma das melhores bandas sonoras do ano. Este compositor tem muitos trabalhos realizados em televisão (série “Lost”) e em videojogos (Medal of Honor) e “Ratatouille” vai ser de certeza um ponto alto na sua carreira. Temos uma mistura de géneros musicais, com estruturas bem conseguidas e muito bem adaptadas para a imagem.

“Ratatouille” vai facilmente desaparecer dos ouvidos das pessoas, por um lado pela fraca condução de marketing e por outro pela intensidade da história que não vai fazer com que as crianças idolatrem Remy ou Linguini.

Mas para os mais velhos, ver este filme vai trazer o sabor daquela comida que as nossas avós faziam para o almoço quando tínhamos quatro anos. Isso é o “Ratatouille”. A comida das nossas casas é a melhor que há!


Pontuação: 17/20

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